quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Opera dos Vivos


Estou completamente fascinada. Acabo de assistir ao primeiro ato da Ópera dos Vivos da Cia Latão no Teatro Oficina da UEM. Simplesmente fantástico. Brecht ao extremo, radical. Que falta sinto neste momento dos meus companheiros da Cia Mamborê de Teatro. Estas coisas a gente tem que ver, sentir coletivamente, não da para explicar.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Conversa animada...

... naquele bom idioma que circula pelo pampa.
Que saudade dos festivais!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

FETACAM

O Festival de Teatro de Campo Mourão não acontecerá este ano. Isto é lamentável porque se trata de um dos festivais de teatro mais importantes do estado; um evento muito aguardado por aqueles que se dedicam ao teatro na região de Campo Mourão - como é o caso da Cia Mamborê de Teatro; um espaço que possibilita o contato com uma diversidade imensa de criações cênicas que se manifestam em diversos recantos deste país; uma extraordinária oportunidade para o debate, o conhecimento e a reinvenção da realidade através do olhar de outros artistas que fazem de Campo Mourão, durante o FETACAM, palco de suas criações.
Como diz Augusto Boal, “ser humano é ser artista”, no entanto as inquietações cotidianas e burocráticas fazem com que esqueçamos esta condição. O palco de um festival é um espaço de revelação desta verdade que tende a se esconder nas contingências imediatistas da sociedade; é, portanto, de uma importância vital.
O FETACAM é uma conquista de Campo Mourão que se estende a toda região, e durante estes dez anos firmou-se como um grande festival, sempre reverenciado pela organização e calorosa recepção aos participantes. É preciso que a Fundação Cultural e a Prefeitura do Município de Campo Mourão reavaliem esta postura, reflitam sobre a importância deste evento e busquem um caminho para que a 11ª edição deste festival seja realizada neste segundo semestre de 2011, pois “palco vazio é o caos”.

sábado, 6 de agosto de 2011

Entidade de dupla face

O ser humano é um ser binário:
ao mesmo tempo predatório e solidário.
Faz-se necessário muito esforço para que o segundo se sobreponha ao primeiro.

Contradição

A globalização destrói a cultura e promove o acesso à cultura.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Transposição

Unanimificação

Contemplação
Comunicação
Palavra
Imagem
Som
Estética anestésica

Desunanimificação


Ação
Contracomunicação
Contradogmatização
Contrafundamentalismo
Contracultura-de-massas
Estética sinestésica

sábado, 30 de julho de 2011

Reflexões sobre teatro

Estou curtindo a minha primeira licença especial como professora de escola pública e aproveito este período de folga da sala de aula para fazer algumas leituras sobre o teatro, outra atividade a que me dedico. Não se trata de uma atividade profissional no sentido próprio da palavra, mas pode tornar-se, cada vez mais, uma atividade “esteticamente profissional”. E para isso é preciso reflexão e experimentação com base nas diversas teorias sobre arte cênica e o trabalho do ator.
Durante esta semana li muitos escritos sobre o teatro e a política, retomando os materiais que trouxe do Centro do Teatro do Oprimido, onde estive em 2008 e outros materiais oriundos da oficina ministrada por Ney Piacentini, Cia Latão de São Paulo. Oficina esta que se deu no FETACAM do ano passado.
Falando de teatro e política se fala de Bertold Brecht e Augusto Boal. Estes dois teóricos discutem profundamente esta relação e revelam em seus escritos que o teatro é sempre político. Esta atitude política no teatro tanto pode ser paralisante como pode ser inquietante. O teatro pode ser mecanismo de acomodação quando seduz as plateias a consumir mensagens ou verdades, atrofiando a percepção; ou pode provocar transformações quando acontece no diálogo entre recorte da vida em cena e o espectador na plateia.
As teorias Brechtianas floresceram em meio à ascensão do movimento operário na Europa, a partir de 1920, em um período de transição social. Sua proposta estética com base no materialismo dialético vem desconstruir o teatro ilusionista, fazendo uma analogia entre palco e vida social. Para Brecht a cena teatral narra um acontecimento e o espectador deve manter uma atitude crítica em relação a esta narrativa. Desnudando o palco italiano e revelando a sua maquinaria, Brecht propunha desvendar os mecanismos de alienação que constituem a sociedade capitalista.
Já Augusto Boal começa a sistematizar as suas ideias em meio à turbulência da ditadura militar no Brasil e América Latina, e surge a partir dai O Teatro do Oprimido, método que busca a transformação pessoal, política e social do ser humano, revelando, através do teatro, as formas dissimuladas de dominação e exclusão social, provocando o espectador, ou espect-ator como denomina Boal, a agir no momento mesmo da cena, propondo soluções ou debatendo questões.
Tanto Brecht como Boal teorizam sobre a plateia, o espectador, e buscam a transformação da sociedade através do teatro, porém por caminhos diferentes: o primeiro permaneceu no palco italiano; o segundo retirou o teatro do palco italiano e o devolveu aos meios populares para ser "usado por todos aqueles que se enquadrem na categoria de oprimidos, sejam operários, camponeses, mulheres, negros, homossexuais" (Boal, 2005).
Acabo de adquirir o último livro de Augusto Boal - A Estética do Oprimido. Neste trabalho de pesquisa o autor dedicou seus últimos anos de vida, sendo lançado em setembro de 2009, após o seu falecimento em maio deste mesmo ano.O brasileiro Augusto Boal é um dos nomes mais reconhecido e respeitado do teatro contemporâneo e desenvolveu suas pesquisas e experiências teatrais em diversos países pelo mundo afora.
Esta devera ser a minha leitura nas próximas semanas de férias especiais.

domingo, 24 de julho de 2011

Hoje é domingo, pede...

...uma xícara colorida com uma fumegante mistura de café, leite e canela, acompanhado de uma boa leitura impressa. O desjejum mais prolongado da semana é uma pequena felicidade de uma manhã de domingo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Susto de uma noite de verão

No avesso do dia,
sob um chapéu de estrelas pirilampas,
a coruja pousa na morna pedra de dezembro
e executa um solo lúgubre
que estremece a sonolenta planície.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Cia Mamborê de Teatro está em busca de espaço

Qualquer forma de arte necessita de um suporte sobre o qual se materialize a expressão. Alguns artistas materializam suas expressões através dos instrumentos musicais; outros, materializam nas telas; tem aqueles que materializam sua arte nas palavras sobre o papel. No caso do teatro a materialização da expressão se dá através do próprio corpo e da palavra dita. Portanto o espaço é para o ator o que o papel e a caneta são para os poetas, o que o instrumento é para o músico. Para um grupo de teatro ter uma casa, um abrigo, significa poder experimentar, pesquisar, formar, ter independência artística, ter um suporte sobre o qual a expressão se materialize.
A Cia Mamborê de Teatro está em busca de abrigo para as suas pesquisas, investigações de cenas, oficinas, ensaios, mostra de trabalhos, enfim, tudo aquilo que envolve a formação do ator e o trabalho de grupo. E ser grupo de teatro em uma pequena cidade do interior do Paraná requer apoio do setor público local para garantir a sua permanência e para dar continuidade ao trabalho. Diante disso a Cia está buscando junto à Prefeitura do Município de Mamborê, e com apoio da Diretora de Cultura, a destinação de uma casa (barracão) situada às margens do lago no Parque do Lago deste município, cujo projeto de construção do parque pretendia a demolição do prédio.
A partir dai a Cia elaborou um projeto e protocolou junto à prefeitura reivindicando a recuperação e reforma deste espaço para abrigar manifestações culturais e artísticas do município e também servir de sede para o grupo.
Desde o inicio de suas atividades em 2004 a Cia Mamborê de Teatro vem caminhando lentamente, espiando o que se faz, como se faz e buscando a melhor forma de fazer esta arte em uma cidade pequena e de vocação agrícola como é Mamborê. E, também, levar esta possibilidade de encenação, realizada nesta cidade do interior do estado do Paraná, para outros espaços em que o teatro acontece.

domingo, 26 de junho de 2011

Palco


Nesta manhã de domingo a alma da Cia Mamborê de Teatro está cheirando a talco como bumbum de bebê.

Subimos ontem ao palco do Centro Cultural de Mamborê e trocamos uma energia muito legal com a plateia. Que maravilha! Que plateia! Que energia!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

MÃE

http://blogdocarlosaleixo.blogspot.com/2011/06/dona-almerinda.html#comments

Meu amigo querido, companheiro Carlinhos, falou coisas lindas sobre a minha mãe em seu Blog. Isto me fez muito feliz.
No entanto, lembrei de um momento em que eu estava triste, quando chamei por ela através deste texto:


TOMBO
Eu caí, estou estendida de bruços no chão áspero,
Meus joelhos e cotovelos ardem, sangram
E eu choro incessantemente, ...

Que falta que me faz uma Mãe!
Como a vida é má! madrasta!
Torna-nos mães, tira-nos as Mães.

Eu queria ser eternamente filha,
Brincar toda a minha existência com a Maísa, a Aline e a cachorrinha de estimação,
E ao tropeçar e cair,
Chamar a Mãe para assoprar as minhas feridas, pedir, ainda entre lágrimas, uma “coisinha” para curar a minha desnutrição de “coisinhas”.

,... E quando eu conseguir me levantar deste chão áspero,
Terei que tomar banho,
E a água escorrerá sobre as feridas abertas e o choro voltará novamente.



Acho que ela ouviu, veio me levantar do chão e assoprar as minhas feridas.

domingo, 19 de junho de 2011

Para Maisa

Maisa é alguém que lê como ninguém o meu verso pelo avesso, ai ela me surpreende contando para mim as novidades de mim mesma. Foi assim que eu assisti O beijo Roubado, ouvi Bethânia em seu Mar de Sophia , vi o quadro do Chaplin...

sábado, 18 de junho de 2011

PEALO DE SANGUE

Peguei meu velho e surrado Giannini, resolvi cantarolar (profanar com minha péssima performance) uma das músicas mais lindas que conheço que é “Pealo de Sangue” de Raul Ellwanger. Então comecei a me perguntar: Onde andará este artista maravilhoso? Perguntei para o Google e ele me respondeu que Raul Ellwanger esta na Praia do Rosa em Santa Catarina e depois de um período de distanciamento da produção musical, voltou a ativa.
Sempre gostei muito do trabalho deste artista. Certa vez tive a felicidade de encontrá-lo fazendo um show no festival Seara da Canção de Carazinho. Fiz questão de consegfuir um autógrafo no disco Portuñol que estava comigo naquela ocasião. Me encantei com a sua simplicidade e afabilidade e voltei muito feliz para o Paraná, com o disco autografado em baixo do braço, morrendo de medo de esquecê-lo no ônibus.
Raul Ellwanger é um artista de muitas parcerias, já trilhou muitos caminhos, provavelmente pela sua própria natureza inquieta e, também, por força do AI-5 durante a ditadura. E esta riqueza de elementos e de contribuições de tantas gentes nos caminhos onde trilhou, aliado com a sua sensibilidade e talento, fez com que ele traduzisse para nós tudo isso em música e poesia.


Visitem o site deste artista: http://www.raulellwanger.com.br/

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ESTOY “RAMILONGANDO”

Acabei de adquirir o disco DÉLIBÁB de Vitor Ramil e estou degustando esta delicia. Vitor Ramil promoveu um encontro de dois poetas do clima frio do sul do continente. Um deles, o poeta Argentino Jorge Luis Borges; o outro, o poeta brasileiro, nascido e criado em Alegrete-RS, João da Cunha Vargas. Vitor “RAMILONGOU” as poesias do argentino, publicadas em “Para las Seis Cuerdas” e, possivelmente, toda a obra escrita do brasileiro, já que este não costumava escrever suas poesias, era um poeta da tradição oral, um “payador”.
Com certeza, os acordes da guitarra sugerida por Borges no prólogo do livro de “milongas”, estavam aguardando por Vitor Ramil, e foram completadas e trazidas até nós em DELIBAB. Esta sonoridade só poderia ser captada por alguém com a sensibilidade deste poeta, escritor e músico de Pelotas, que de forma excepcional , consegue traduzir, em uma linguagem universal , a forma como aqueles que brotam neste espaço mais ao sul do continente, percebem as coisas, os acontecimentos, música e a poesia que ali se dá.


DÉLIBAB
Vitor Ramil, no DVD que acompanha o CD , explica que DÉLIBÁB é um fenômeno extraordinário da planície húngara, tão semelhante às planícies do sul do nosso continente. Único em seu gênero, este tipo de espelhismo transporta paisagens muito distantes a horizontes quase desérticos, reproduzindo ante os olhos maravilhados do observador, em dias de calor, o desenvolvimento de cenas distantes. Quadros curiosíssimos que cobrem o horizonte em enormes projeções. E suas imagens são planas, nunca invertidas, nítidas, claríssimas. Este fenômeno ótico é devido à refração desigual dos raios solares nas camadas de ar, de temperatura e rarefação diferentes. A imagem passa por diversas regiões de atmosfera de diferente densidade, até projetar-se sobre o horizonte da planície.

RAMILONGAR
Esta ação é possível? Eu acredito que sim, pois estou ramilongando e sentindo na pele o arrepio,nos ouvidos a melodia que serpenteia nas ondulações do pampa, na boca o sabor suave do mate amargo, nas narinas o cheiro da erva verde e o perfume das macegas das coxilias trazidas pelo vento caminhador e no olhar a delibab (eu sinto que este substantivo é feminino).

domingo, 12 de junho de 2011

Teatro Itinerante

A Cia Mamborê de Teatro, desde suas primeiras montagens tem levado o teatro às comunidades rurais do município de Mamborê. Agora é a vez do Caixeiro da Taverna, que na última sexta-feira, 10 de junho esteve na Comunidade do Guarani e no sábado, dia 18 de junho, estará na Comunidade do Pensamento .
Esta iniciativa já foi registrada em reportagem da RPC TV no programa Caminhos do Campo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Onde andam os Beneditos?













Há bastante tempo não tinha contato com a tradição gaúcha e os Rodeios Crioulos. Porém, no último fim de semana, dias 4 e 5 de junho, estive em Toledo-Pr, onde ocorreu um evento desta natureza. Asseguro que foi uma interessante retomada do contato com as minhas raízes gaúchas.
Confesso que não sou adepta da modalidade do Tiro de Laço, acho completamente desnecessário e cruel este tipo de culto. Mas, já a invernada artística, onde se cultivam poesias, músicas e danças é algo muito agradável. E assistir a declamação da poesia “Os olhos do Negrinho” de Dimas Costa, na maravilhosa interpretação de José Ernesto Tavares foi um momento muito especial.












OS OLHOS DO NEGRINHO
Dimas Costa

Em tempos que já vão longe -por culpa do Grã-senhor-
O mundo era um carneador,-assim na comparação
Coberto do sangue rubro, vertido do corpo vivo
Do negro, pobre cativo, nas garras da escravidão!

Vinham barcos de além-mar, galopeando pelas águas,
Trazendo dores e mágoas num bojo infecto e imundo!
E despejavam nos campos dos potreiros do Brasil
Que se fez, também covil do maior crime do mundo!

Nosso Pampa, por desgraça,foi cúmplice desse crime!
Hoje, no entanto, redime a culpa dessa maldade!
Pois se abriram para as raças, todas as porteiras do pago
E diz que cultiva, com afago, a mais pura liberdade!

Mas foi nesse triste tempo, que nasceu o Benedito.
Um pobre escravo, negrito, que morreu ainda na infância.
Nasceu não... surgiu no mundo, como um traste sem valor,
E por ordem do “Senhor”, foi crescendo e ficou sendo o mandalete da estância.

O pobre Benedito, era pau prá toda obra!
Mais ruim que carne de cobra, para ele era o Senhor,
-Benedito, busca água,
-Bendito, espanta o gado,
-Benedito, desgraçado, negro ordinário, estupor
E logo o relho cantava, e o Benedito gemia,
Apanhava e não sabia, porque razão o coitado.
Ficava ali tremendo, fitando o senhor, sestroso,
Meio gemendo, choroso, os olhos grandes parados.

-Benedito!, fecha os olhos!, não me olhes deste jeito.
-Toma negro, tem respeito. Não olha assim para mim.
E o relho vinha de novo, lanhar o corpo flaquito,
-Fecha os olhos Benedito, não me olhes, negro, assim.

E o negrinho se afastava, com olhar escancarado,
Pois nem o medo danado, daquele homem feroz,
Fazia o negro desviar, aquele mirar profundo,
Que penetrava no fundo, da alma do seu algoz.

-Benedito!, fecha os olhos!, não me olhes deste jeito.
O rancor e o despeito, deixava o senhor aflito,
Pois no fundo deste olhar, havia um triste segredo,
E o senhor já tinha medo, dos olhos do Benedito.

A noite quando o negrinho, depois que a lida findava,
Corpo moído, se deitava, no chão duro da senzala,
A lua vinha de manso, furar a palha do teto,
E o negro com muito afeto, ficava rindo a fitá-la.

E abria mais os olhos, para beber o luar,
Que nunca ouviu reclamar por ele mirar assim.
E feliz, naquele instante, o negrinho, tão pequeno,
Fechava os olhos , sereno, e adormecia, por fim.

-Benedito, fecha os olhos! Desvia, negro esse olhar!
Pois hoje tu vais fechar, para sempre, desgraçado!
E o monstro humano bateu no negrinho sem cessar,
Até o pobre tombar, aos seus pés, ensanguentado!

-Fecha os olhos, Benedito! E o corpo, já encangue
Arrancava carne e sangue, sempre a bater, o maldito!
Mas o olhar do negrinho mais e mais se escancarava
E louco, o “senhor” gritava
-Fecha os olhos, Benedito!

Até que um negro silêncio susteve o braço assassino.
Pois a alma do menino, escravo da negra sorte,
Fugiu por fim já cansada de tanto o corpo apanhar,
E feliz, foi se entregar aos braços livres da morte!

E o olhar do Benedito nem assim não se fechou
Morto, embora, ali ficou mais e mais escancarado!
E o “senhor” ao ver aquilo, perdeu a luz da consciência
E arrojou na demência, a gritar desesperado:

-Benedito, fecha os olhos! Negro ordinário, maldito!
-Benedito, fecha os olhos!
-Fecha os olhos, Benedito!

E o olhar do Benedito ficou grudado no céu.
Uma noite, por entre o véu da grandeza do infinito,
um par de estrelas surgiu a brilhar fitando o mundo.
Tinha um mirar tão profundo como os olhos do negrito.
E hoje que ainda existe na consciência universal
a eterna nódoa do mal daquele crime maldito,
quanto homem ainda há, que ao ver o par de estrelas brilhar,
não tem ganas de gritar:
– Fecha os olhos, Benedito!

Como a própria poesia revela, as porteiras do pago foram abertas às diversas etnias, para se "redimir" da maldade, mas..., que curioso!?!.., todos de olhos claros!?!?...
Onde estarão os negros olhos?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Caixeiro da Taverna














A Cia Mamborê de Teatro está com uma nova peça em cartaz. Trata-se do “Caixeiro da Taverna”, mais um texto de Martins Pena, dramaturgo romântico que notabilizou-se por satirizar a sociedade brasileira do século 19.













A Cia levou a nova peça ao palco da Biblioteca Pública Municipal Prof. Egydio Martelo e do Hospital Santa Casa, ambos em Campo Mourão, e agora prepara-se para levar o texto às comunidades rurais do município de Mamborê, como tradicionalmente faz com todas as montagem.

Mestre Nikon Kopko

- Hersen, Portílio e Darolt!?!?!
Ouvindo esta frase proferida com aquela voz grave e forte do mestre Nikon Kopko, o trio que conversava animadamente ao fundo, se acomodava rapidamente nas suas respectivas carteiras. Logo após a chamada (meu número sempre se situava por volta do 23 e sempre haviam duas “Neusas” na sala) o mestre iniciava a correção da tarefa de casa que era conjugar os verbos da primeira, segunda e terceira conjugação em vários tempos e modos. E assim seguiam-se os dias até estarmos com a relação completa das conjugações verbais em nosso caderno de Língua Portuguesa.
Ufa!!! Haja caderno!!!
Nas aulas seguintes aprendíamos a forma correta da colocação pronominal – próclise, mesóclise e ênclise - e fazíamos uma lista imensa de exercícios praticando esta colocação adequada nas frases. Na sequência, como tarefa de casa, um tema sobre o qual deveríamos redigir aproximadamente uma lauda para a aula do dia seguinte...
Assim eram as aulas do mestre muito conhecido e respeitado por todos pelo domínio que tinha da gramática normativa. Na verdade nosso mestre era a gramática em pessoa.., qualquer dúvida que alguém tivesse em relação à norma da Língua Portuguesa, lá vinha acudir aquele homenzarrão “buenacho” com seu vozeirão grave de megafone, ditando as normas e tecendo comentários sobre a etimologia das palavras envolvidas na questão.
Alguns anos mais tarde, já com a surdez acentuada e, em conseqüência, maior volume acrescido à voz grave e forte, este mestre me apresentou as declinações e um pouco do vocabulário da Língua Latina no curso de Letras da Fecilcam de Campo Mourão. Em algumas ocasiões, com uns dois velhos livros em baixo do braço esquerdo, vestindo a mesma camisa branca, calças cinza e sapatos pretos, denunciando o já largo uso, o mestre se sentava no banco rústico de madeira, que ficava na calçada em frente à grande porta de vidro da faculdade, e ali nos auxiliava nas dúvidas (agora Aleixo, Portílio e outros sobrenomes) relativas à norma culta padrão, com as quais nos deparávamos nas atividades agora acadêmicas
Neste época nossos novos mestres já começavam a esboçar uma abordagem diferente do ensino de Língua, tanto Inglesa quanto Portuguesa, onde nos era ofertada a gramática através de textos e não mais em frases soltas, estanques. A partir daí aprendemos que a língua tem diferentes modalidades, ouvimos falar do preconceito lingüístico e fomos apresentados a Saussure e Bakhtin entre outros, e as discussões continuam até hoje.
Hoje, além de não colocarem mais nome de Neusa nas meninas, também não se ensina mais a Língua Portuguesa da forma como o mestre Nikon Kopko ensinava. As suas aulas eram de “cálculo gramatical”, o que na prática cotidiana muito pouco utilizamos. Hoje tenta não se privilegiar a norma culta padrão, embora seja muito difícil, pois esta prática está muito enraizada na cultura escolar. Mas apesar de tudo isto, quando ouço falar em aula de Língua Portuguesa me vem à memória a imagem deste mestre que cuidava com carinho da gramática da língua nas frases escritas e proferidas por seus alunos.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Paul McCartney no Engenhão - O show da minha vida














Assistir ao Show do Paul McCartney no Rio de Janeiro, no dia 22 de maio de 2011, foi um acontecimento sem precedentes na minha história. Participei junto com a Aline, minha filha, da cartase coletiva do Engenhão e continuo degustando o agradável sabor daqueles momentos, os quais tento compartilhar com as pessoas que não puderam estar lá comigo.

A obra dos Beatles é atemporal , é trilha sonora da minha trajetória desde a adolescência, quando estes quatro jovens de Liverpool me foram apresentado por Fernando Vieira, em seu programa da TV Difusora, canal 10, de Porto Alegre; e agora embala também os sonhos da Aline, que exibe tatuada em seu pulso esquerdo a frase “Let It Be”; dá ritmo aos passos do Alexandre, meu sobrinho querido, que faz parte de uma banda cover dos Beatles chamada “Julieu e as Romietas”...














E assim milhares de adolescentes, jovens e pessoas com os cabelos desbotados pela ação do tempo, se mesclaram nas filas, sob o sol carioca, protegidos por guarda-chuvas multicoloridos, aguardando o tão esperado momento do Beatle Paul entrar em cena e reger aquele imenso coro de pura emoção e energia.














Momentos de especial emoção para mim foram "Blackbird" ao violão, “Something” executado no U-kelele acompanhado por um coro de 45 mil vozes, “Hey Jude” acompanhado pelo piano multicolorido e protagonizado por todos que eram parte daquela multidão, com cartazes formando um imenso coro escrito, cantado e emoldurado por balões de todas as cores saltitando entre os braços comovidos,... e, é claro, "Yesterday" que cantamos juntos e impecavelmente do inicio ao fim.

Vejam neste video o momento incrível de "Hey Jude" que ficou no Engenhão e na memória de cada um dos protagonistas do espetáculo.



Outros momentos memoráveis de Paul in Rio estão no YOUTUBE.

A VIAGEM
Saímos em sete pessoas da UEM- Maringá pontualmente às 22:10 horas do dia 21de maio, sábado, em um micro-ônibus fretado pela Turismo Universitário, passamos em Londrina onde somaram-se a nós mais treze pessoas. Uma galerinha muito especial, não sei o nome de todos, lembro apenas dos companheiros de Maringá que são o Gabriel, o Vinicius, a Aline, a Anne, o Leandro.













Fizemos uma viagem muito tranquila, em parte fomos curtindo o DVD do Show de Paul e em parte dormindo. Chegamos no Rio por volta das 13:00 horas de domingo e fomos direto ao Engenhão aguardar o show que que começou às 21:45. Marcamos um ponto de encontro com a galera do ônibus em frente ao setor norte. A saída do Rio se deu por volta da 01:00 hora do dia 23 de maio.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Riso encabulado

Cachorro sem rabo tem o mesmo riso acanhado de um adulto sem dentes.

A la Boal

CENA 1
(As duas garotas se despedem na sala, ou em frente a casa de GABI)
BIA – Gabi, você vai na casa da Lu tomar tererê hoje?
GABI – Não dá Bia. O meu pai chega bêbado sempre e começa a implicar e bater na gente sem nenhum motivo, imagina seu eu for sem avisar antes.
BIA – Hummm!!!! – Que pena! ... Mas você que sabe da tua vida. Tchau, até amanhã na escola, então.
GABI – Tchau Bia
CENA 2
GABI – Mãâee!! Eu tô com fome. O que tem ai pra eu comer?
MÃE – Ah!!! Filhota... Sei lá!? Vê ai na geladeira... O Jantar tá quase pronto
GABI - Hummmm!?!?... Acho que vou tomar um leite e esperar o jantar.
(Liga a TV e senta-se no sofá)
GABI – Mãe! A Bia queria que eu fosse com ela tomar Tererê na casa da Lu. Será que se eu fosse o pai ia ficar muito brabo?
MÃE - É melhor você não ir filha. Você sabe como é teu pai quando tá com uns gole a mais na cabeça. Já chega batendo em todo mundo sem motivo, imagina se ele achar um motivo pra isso!!!...
GABI – Que droga!!! Sempre a mesma história!!! E por falar no diabo.....
PAI – Que isso menina.... Fica chamando, o “dianho” entra nesta casa...
GABI – Só se entrar no seu corpo pai, porque aqui ele não tem força pra entrá.
PAI – Mas que diabo de menina “bocuda”, Você não dá educação pra esta peste “muié”
(tira a cinta e começa a bater na garota e a mãe entra no meio para socorrer a filha)
CENA 3
(No dia seguinte pela manhã na sala de aula)
PROFESSORA – Agora vocês formem grupo de cinco alunos para ler o texto e depois fazermos um seminário com relatos das histórias e discussão com a sala toda.
ALUNO 1 – professora! (rindo) Você já viu a marca de cinta no braço da Gabi?
GABI – É verdade professora. O meu pai me bateu ontem a noite e o meu braço tá dolorido.
PROFESSORA1 – Creeedo Gabi!!! Que coisa doida!!! Por que ele te bateu? Deixa eu ver o teu braço?
GABI (tirando a blusa pra mostrar o braço à professora) – Ah! Professora, ele é assim... Chega bêbado e bate na gente sem motivo. É que eu disse que o diabo só podia entrar no corpo dele, por que em casa ele não tinha força de entrar.... Ai ele ficou brabo e me bateu. E teria batido mais se a minha mãe não entrasse no meio.
PROFESSORA 1 – Nossa Gabi!! Que loucura
ALUNO 1 – (Rindo) E o diabo entrou nele mesmo, Hein!!!... hehehe
GABI – (Rindo também) Hehehe!.. É mesmo.. , o Diabo entrou nele. Hehehe! ... Mas da próxima vez eu vou bater nele professora.
PROFESSORA 1 – Mas Gabi, isto não resolve a situação. Ele é mais forte do que você. Pode acontecer coisa pior.
(Dá o sinal para o intervalo e todos saem)

Resgatada em maio de 2010

QUINTANEANDO

Dia desses, Aline estava preguiçosamente estirada na rede, com um dos braços dependurados para fora, cuja mão, a cada balanço, roçava carinhosamente a cabeça e parte do corpo da cachorrinha Pandora que desfrutava daquele prazer cochilando na tarde quente dos últimos dias de dezembro. Até que foi apanhada de surpresa pelo tombo de um passarinho que despencou do ninho, construído habilmente entre as conexões de uma calha no telhado da varanda. Mas era tão pequenininho e inocente, e tinha as penas tão arrepiadinhas que Aline se compadeceu . Pegou uma caixinha de sapatos, forrou cuidadosamente com roupas velhas. Depois aninhou o com muito jeito lá, para que o animalzinho se recuperasse no quente. E desde então toda a atenção da Aline voltava-se para aquela pequena criaturinha. Alimentava-a de hora em hora com um preparado de ração para pequenas aves. Quando a Aline passava o bichinho a acompanhava com o biquinho aberto e ruídos exigentes. Até Pandora ficava curiosamente admirando aquelas cenas, com as orelha em pé, o rabo balançando com certa restrição e as narinas aguçadas, tentando captar o cheiro daquele frágil ser vivente. Ora, naquela manhã, de sábado a pequena ave despertou cambaleante, talvez o barulho dos fogos de artifícios do reveillon fora insuportável a sua aguçada percepção sonora. Eis que os olhos da Aline ficaram marejados, e disse então ao passarinho: “Vou guardar-te comigo, para que o calor do meu corpo possa recuperar-te a força para alimentar-te novamente. A impossibilidade de devolver-te a tua família, e a tua fragilidade requer de mim este esforço.” A andorinhazinha respondeu, ao que parecia, satisfatoriamente a aquele cuidado. Porém, na manhã daquele domingo, a frágil vida escapava lentamente daquele pequenino corpo recoberto de plumagens acinzentadas, o qual fora então se aquietando, se aquietando.... até que morreu sem conseguir voar...

Qualquer semelhança é verdade mesmo. Meu passarinho cuidou desta andorinhazinha

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Vida feliz em 2011

Ano novo tem cheiro bom - traz sempre aquele aroma de noz moscada e canela de uma cuca recém saida do forno e que o generoso, bom e velho vento se encarrega de resgatar através das janelas e portas das casas que se abrem carregadas de alvissareiras promessas;
E o ano novo é um bom tempo para observar...Vamos sair com o vento caminhador pelas ruas, estradas, morros, ladeiras, em busca dos espaços e das gentes que ai estão com suas belas histórias a serem contadas.
Vamos pegar a bicicleta, acompanhar o vento e fazer de 2011 uma vida muito feliz.