sábado, 31 de julho de 2021

CASA É AMIGA

 



O poeta diz: “Amigo é feito casa que se faz aos poucos E com paciência pra durar pra sempre” (...)

 Neste embalo, posso dizer que esta definição do poeta é muito verdadeira, e que o inverso também faz sentido: “Casa é feito amiga que se faz aos poucos, e com paciência pra durar pra sempre.”

Bem, estou neste empenho...rsrsrs..., Sou uma pessoa movida pela paixão, não consigo fazer nada se não me apaixonar perdidamente...rsrsrsr

O meio ambiente, os bichos, as plantas, a vida brotando e explodindo nos lamaçais quentes das beiras dos rios, as águas....,Ah!!!! As águas sempre foram minha paixão. As águas dos rios, livres correndo, com seus conflitos internos, lutando por espaços entre as margens e nas passagens pedregosas, com aquele universo de seres que respiram diferente da gente.... Onde as águas formam poças e se acalmam da correria, é o lugar que eu me deito de costas e miro o céu, as nuvens, as árvores do entorno, até onde o ângulo de visão dos meus olhos, sob minha cabeça semi submersa, alcançarem.

Pois então!... Mais uma paixão me despertou com intensidade. Trata-se de uma amiga que precisa nascer, mas deixar os demais seres viventes cumprirem também suas existências. Esta amiga com certeza irá nos (eu e demais seres viventes) "acolher, recolher e agasalhar oferecer lugar pra dormir e comer"...

Vamos seguindo, curtindo e processando... E neste movimento impulsionado pela paixão, que felicidade extraordinária cruzar meu olhar com o olhar profundo e paciente deste rapaz chamado Marcelo Bueno do IPEMA – Instituto de Permaculatura e Ecovilas Mata Atlântica - http://ipemabrasil.org.br/.

Minha amiga começa a ganhar feição e afeição.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sexta-feira fria, com ventania à gosto


Agosto é exagerado, como tudo que se faz "à gosto":
... coloque pimenta  agosto; incêndio a boca,
... sal agosto; mar morto com certeza...

Penso que a receita deste mês ficou sem nome no meio das outras, e que, muito provavelmente, já ficou deixada de lado, para finalizar depois, pra pensar melhor, porque não havia dado muito bom resultado, enfim ...

Vejam só Janeiro, Novembro, Dezembro, Setembro..., que cheiro bom, que beleza de finalização. OUTUBRO,...Nooossa!  é de encher a boca para degustar este nome. Fevereiro, caramba! Que sonoridade,... escute só este som no início da palavra inventada para lhe dar nome, FEVE..., é a cara do próprio mês, pura alegria e leveza, como  a música e a dança de Antônio da Nóbraga.
 Já Junho, Julho, meses escuros e meio amargos, sombrios, quase gêmeos, tem cheiro de fogo e som do crepitar da madeira seca, mas têm sabor marcante , porém precisa tomar com muito cuidado porque pode causar queimaduras.

Mas é  óbvio que tem uns outros meses que ficaram meio perdido neste receituário, como é o caso de Março, mês com sabor meio opressivo; Maio, parece laranja do céu, é doce demais, na receita deste deve estar escrito:...adoçante a vontade. Abril, um tanto quanto insosso,... com certeza na receita está: ..uma pitada de sal... e os dedos de quem o fez eram muito pequeninos.
 


Mas Agosto, quando experimentamos sempre torcemos o nariz, enrugamos, a testa e esprememos a boca com língua entre os dentes... é tudo demais ou sem nada: dias agosto, vento agosto, folhas de sibipiruna a gosto,  nem uma pitada de dia santo... A gente engole este mês só porque não tem outro jeito mesmo.

Se agosto fosse gente, seria como eu estou agora nesta fase do confinamento: implicante e ranzinza.


segunda-feira, 15 de junho de 2020

ANA LÚCIA

Resolvi recuperar esta postagem que fiz no feicibuke ano passado, mais propriamente no dia 29 de agosto de 2019. 

Estava em uma semana agitada e, ao finalizar uma das tarefas semanais, senti saudades imensa da estufa familiar, então fui para o lugar que melhor acolhe um ser vivente.

Agora não posso ir ate você, Analúcia, então vou rememorar a delícia deste dia.

 
 

Minhas férias na casa da Ana Lucia.

 
Hoje me senti cansada.
Após rodar uns 650 km na região, parando de escola em escola, conversando com as companheiras e companheiros de trabalho sobre as boas lutas, o período de nuvens pesadas que vamos atravessar, aulas no período matutino e noturno, reposições da greve, provas e trabalhos a aplicar,...affff. Ontem a noite, na hora de dormir, senti que estava apertando o meu cérebro, como diz o meu mano Cláudio... Rsrsrs.
Fiz tudo o que tinha que fazer até as 17:30 de hoje, sai do trabalho e senti uma vontade imensa de CASA. Fui na Ana Lúcia, ou A NÁLUCIA (tudo junto, como eu pensava que era quando criança... KKKK)
Cheguei com o Rocinante e, antes de desligar o motor, ouvi de dentro da casa: 
 
- A    N E E E E U U S A A A A A A!!!!!!!!!
 
Nossa!! Um NEUSA que eu ouvia da minha mãe quando eu chegava depois de tempo longe. Tal qual aquele que um dia ouvi quando cheguei a Carazinho e ela, andando pelo gramado em torno da casa, me reconheceu pela última vez.
Então, HOJE EU CHEGUEI EM CASA depois do trabalho, e descansei, e tomei um dos melhores cafés da minha vida, e conversei descansadamente com a minha ancestralidade que me quer muito bem, que sinceramente, realmente, de verdade, fica muito feliz quando me vê . Aquela pessoa cujo olhar dá uma festa na hora que a eu chego.
Estou voltando da temporada de férias que durou das 18 às 20 horas do dia de hoje.

domingo, 14 de junho de 2020

A neusa e a maria


A maria que acompanha a neusa é quase um adereço esquecido.
Vez ou outra lembro dela quando quero recriminar algum mal feito da neusa.

- Olha só o que a NEUSA MARIA fez:  derramou tinta vermelha sobre o banco traseiro do Sandero..

Geralmente os sobrenomes que se agregam à neusa ao longo da estrada também esquecem a maria: é a neusa da Almerinda,  neusa do DCE, neusa do PT, neusa do Conselho,  neusa de Mamborê,  neusa do Jadi da Retimam (este foi o sobrenome mais esquisito, ainda bem que não pegou...rsrsrs),  neusa do Teatro, neusa da APP..., e a maria sempre esquecida.

Porém ela está ali, testemunhando toda a andadura da neusa, os traços e as “meias coisas” realizadas que vão sendo deixadas à beira da estrada..., e os novos traços acrescentados à neusa primitiva.

 - Seriam elas ou é a estrada que passa...?!?!

O irmão mais velho




Chega um dia que os irmãos mais velhos partem da estufa familiar.
O corpo meio enrijecido, as calças compridas já acima do tornozelo, a sacola com as poucas coisas que pode levar, a aflição no peito, o olhar buscando firmeza, tentando cruzar rápido de um lado para o outro, com a intenção de não se deixar sugar para dentro da estufa novamente.

Conosco aconteceu diferente:
O irmão mais velho ficou e a estufa familiar partiu em um caminhão Mercedes azul, no dia de seu 19º aniversário.  - A figura esguia com os braços cruzados no peito, demonstrando imobilidade, um desajeitado meio sorriso nos lábios, um aceno tímido com a mão,... ficaram para traz naquele nublado 23 de janeiro de 1980.

domingo, 29 de abril de 2018

Coisas que entristecem

Os gerentes de governos, habilidosamente competentes,
com seus asseados, limpos, iluminados, cincos ésses,
continuam jogando fora gentes.
Do barro, Barros,
quem sabe então
eles saberão
qual o período médio
que um humano jogado fora
pode permanecer na terra sem nascerem
em sua boca as raízes da escória.

O humano jogado fora.

Com seu pedaço de corpo roto, decepado, ralado
misturado no barro do brejútero,
um enxerto caótico de espécies:
pernas, pelos, penas, pênis, pústulas, piúrias, espúrias, pululam párias em profusão .

domingo, 7 de junho de 2015

ELAS E ELES TÃO NA LUTA



Neste dia 06 de junho, sábado, após uma reunião do conselho regional da APP Sindicato de Campo Mourão, fomos, eu e outros, vários, companheiros de luta, festejar e mirar uma outra luta.

São dez anos de uma batalha vencida;
Batalha de uma luta que nos inspira;
De uma luta que nos alimenta. 
- A luta e o trabalho lindo que realizam os nossos companheiros do MST de Peabiru. 

Conheci um lugar que aguça os sentidos;
com cheiro bom,
com gente linda,
com terra de uma aspereza incrivelmente macia,
com bicho livre,
com alimento saudável.
  

Bicho que vem da mata
e bicho que circunda a casa,
Bicho fazendo a função de bicho,
Bicho cumprindo a sua natureza:
ciscar, cacarejar, botar ovos onde bem lhes convier,...

 fuçar, tomar banho de lama,...
pastar uma grama fresquinha e cheirosa ...

As pessoas. 
Ah!!!!...  As pessoas deste lugar. 
As pessoas que pisam e cultivam aqueles chãos.

Gente com um jeito calmo da sabedoria,
Gente com um jeito de gente
Gente cuja  luta se  entranhou na vida;
Gente que sabe sempre, como ninguém, o momento certo de tudo e para tudo. 

A Martina... 
Disseram que eu tenho a feição dela.   
Ah!.... quem me dera estar na sola de seus chinelos.


Fotografia: Osvaldo Haagsma.