Estou curtindo a minha primeira licença especial como professora de escola pública e aproveito este período de folga da sala de aula para fazer algumas leituras sobre o teatro, outra atividade a que me dedico. Não se trata de uma atividade profissional no sentido próprio da palavra, mas pode tornar-se, cada vez mais, uma atividade “esteticamente profissional”. E para isso é preciso reflexão e experimentação com base nas diversas teorias sobre arte cênica e o trabalho do ator.
Durante esta semana li muitos escritos sobre o teatro e a política, retomando os materiais que trouxe do Centro do Teatro do Oprimido, onde estive em 2008 e outros materiais oriundos da oficina ministrada por Ney Piacentini, Cia Latão de São Paulo. Oficina esta que se deu no FETACAM do ano passado.
Falando de teatro e política se fala de Bertold Brecht e Augusto Boal. Estes dois teóricos discutem profundamente esta relação e revelam em seus escritos que o teatro é sempre político. Esta atitude política no teatro tanto pode ser paralisante como pode ser inquietante. O teatro pode ser mecanismo de acomodação quando seduz as plateias a consumir mensagens ou verdades, atrofiando a percepção; ou pode provocar transformações quando acontece no diálogo entre recorte da vida em cena e o espectador na plateia.
As teorias Brechtianas floresceram em meio à ascensão do movimento operário na Europa, a partir de 1920, em um período de transição social. Sua proposta estética com base no materialismo dialético vem desconstruir o teatro ilusionista, fazendo uma analogia entre palco e vida social. Para Brecht a cena teatral narra um acontecimento e o espectador deve manter uma atitude crítica em relação a esta narrativa. Desnudando o palco italiano e revelando a sua maquinaria, Brecht propunha desvendar os mecanismos de alienação que constituem a sociedade capitalista.
Já Augusto Boal começa a sistematizar as suas ideias em meio à turbulência da ditadura militar no Brasil e América Latina, e surge a partir dai O Teatro do Oprimido, método que busca a transformação pessoal, política e social do ser humano, revelando, através do teatro, as formas dissimuladas de dominação e exclusão social, provocando o espectador, ou espect-ator como denomina Boal, a agir no momento mesmo da cena, propondo soluções ou debatendo questões.
Tanto Brecht como Boal teorizam sobre a plateia, o espectador, e buscam a transformação da sociedade através do teatro, porém por caminhos diferentes: o primeiro permaneceu no palco italiano; o segundo retirou o teatro do palco italiano e o devolveu aos meios populares para ser "usado por todos aqueles que se enquadrem na categoria de oprimidos, sejam operários, camponeses, mulheres, negros, homossexuais" (Boal, 2005).
Acabo de adquirir o último livro de Augusto Boal - A Estética do Oprimido. Neste trabalho de pesquisa o autor dedicou seus últimos anos de vida, sendo lançado em setembro de 2009, após o seu falecimento em maio deste mesmo ano.O brasileiro Augusto Boal é um dos nomes mais reconhecido e respeitado do teatro contemporâneo e desenvolveu suas pesquisas e experiências teatrais em diversos países pelo mundo afora.
Esta devera ser a minha leitura nas próximas semanas de férias especiais.
sábado, 30 de julho de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
Hoje é domingo, pede...
...uma xícara colorida com uma fumegante mistura de café, leite e canela, acompanhado de uma boa leitura impressa. O desjejum mais prolongado da semana é uma pequena felicidade de uma manhã de domingo.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Susto de uma noite de verão
No avesso do dia,
sob um chapéu de estrelas pirilampas,
a coruja pousa na morna pedra de dezembro
e executa um solo lúgubre
que estremece a sonolenta planície.
sob um chapéu de estrelas pirilampas,
a coruja pousa na morna pedra de dezembro
e executa um solo lúgubre
que estremece a sonolenta planície.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
A Cia Mamborê de Teatro está em busca de espaço
Qualquer forma de arte necessita de um suporte sobre o qual se materialize a expressão. Alguns artistas materializam suas expressões através dos instrumentos musicais; outros, materializam nas telas; tem aqueles que materializam sua arte nas palavras sobre o papel. No caso do teatro a materialização da expressão se dá através do próprio corpo e da palavra dita. Portanto o espaço é para o ator o que o papel e a caneta são para os poetas, o que o instrumento é para o músico. Para um grupo de teatro ter uma casa, um abrigo, significa poder experimentar, pesquisar, formar, ter independência artística, ter um suporte sobre o qual a expressão se materialize.
A Cia Mamborê de Teatro está em busca de abrigo para as suas pesquisas, investigações de cenas, oficinas, ensaios, mostra de trabalhos, enfim, tudo aquilo que envolve a formação do ator e o trabalho de grupo. E ser grupo de teatro em uma pequena cidade do interior do Paraná requer apoio do setor público local para garantir a sua permanência e para dar continuidade ao trabalho. Diante disso a Cia está buscando junto à Prefeitura do Município de Mamborê, e com apoio da Diretora de Cultura, a destinação de uma casa (barracão) situada às margens do lago no Parque do Lago deste município, cujo projeto de construção do parque pretendia a demolição do prédio.
A partir dai a Cia elaborou um projeto e protocolou junto à prefeitura reivindicando a recuperação e reforma deste espaço para abrigar manifestações culturais e artísticas do município e também servir de sede para o grupo.
Desde o inicio de suas atividades em 2004 a Cia Mamborê de Teatro vem caminhando lentamente, espiando o que se faz, como se faz e buscando a melhor forma de fazer esta arte em uma cidade pequena e de vocação agrícola como é Mamborê. E, também, levar esta possibilidade de encenação, realizada nesta cidade do interior do estado do Paraná, para outros espaços em que o teatro acontece.
A Cia Mamborê de Teatro está em busca de abrigo para as suas pesquisas, investigações de cenas, oficinas, ensaios, mostra de trabalhos, enfim, tudo aquilo que envolve a formação do ator e o trabalho de grupo. E ser grupo de teatro em uma pequena cidade do interior do Paraná requer apoio do setor público local para garantir a sua permanência e para dar continuidade ao trabalho. Diante disso a Cia está buscando junto à Prefeitura do Município de Mamborê, e com apoio da Diretora de Cultura, a destinação de uma casa (barracão) situada às margens do lago no Parque do Lago deste município, cujo projeto de construção do parque pretendia a demolição do prédio.
A partir dai a Cia elaborou um projeto e protocolou junto à prefeitura reivindicando a recuperação e reforma deste espaço para abrigar manifestações culturais e artísticas do município e também servir de sede para o grupo.
Desde o inicio de suas atividades em 2004 a Cia Mamborê de Teatro vem caminhando lentamente, espiando o que se faz, como se faz e buscando a melhor forma de fazer esta arte em uma cidade pequena e de vocação agrícola como é Mamborê. E, também, levar esta possibilidade de encenação, realizada nesta cidade do interior do estado do Paraná, para outros espaços em que o teatro acontece.
domingo, 26 de junho de 2011
Palco
segunda-feira, 20 de junho de 2011
MÃE
http://blogdocarlosaleixo.blogspot.com/2011/06/dona-almerinda.html#comments
Meu amigo querido, companheiro Carlinhos, falou coisas lindas sobre a minha mãe em seu Blog. Isto me fez muito feliz.
No entanto, lembrei de um momento em que eu estava triste, quando chamei por ela através deste texto:
TOMBO
Eu caí, estou estendida de bruços no chão áspero,
Meus joelhos e cotovelos ardem, sangram
E eu choro incessantemente, ...
Que falta que me faz uma Mãe!
Como a vida é má! madrasta!
Torna-nos mães, tira-nos as Mães.
Eu queria ser eternamente filha,
Brincar toda a minha existência com a Maísa, a Aline e a cachorrinha de estimação,
E ao tropeçar e cair,
Chamar a Mãe para assoprar as minhas feridas, pedir, ainda entre lágrimas, uma “coisinha” para curar a minha desnutrição de “coisinhas”.
,... E quando eu conseguir me levantar deste chão áspero,
Terei que tomar banho,
E a água escorrerá sobre as feridas abertas e o choro voltará novamente.
Acho que ela ouviu, veio me levantar do chão e assoprar as minhas feridas.
Meu amigo querido, companheiro Carlinhos, falou coisas lindas sobre a minha mãe em seu Blog. Isto me fez muito feliz.
No entanto, lembrei de um momento em que eu estava triste, quando chamei por ela através deste texto:
TOMBO
Eu caí, estou estendida de bruços no chão áspero,
Meus joelhos e cotovelos ardem, sangram
E eu choro incessantemente, ...
Que falta que me faz uma Mãe!
Como a vida é má! madrasta!
Torna-nos mães, tira-nos as Mães.
Eu queria ser eternamente filha,
Brincar toda a minha existência com a Maísa, a Aline e a cachorrinha de estimação,
E ao tropeçar e cair,
Chamar a Mãe para assoprar as minhas feridas, pedir, ainda entre lágrimas, uma “coisinha” para curar a minha desnutrição de “coisinhas”.
,... E quando eu conseguir me levantar deste chão áspero,
Terei que tomar banho,
E a água escorrerá sobre as feridas abertas e o choro voltará novamente.
Acho que ela ouviu, veio me levantar do chão e assoprar as minhas feridas.
domingo, 19 de junho de 2011
Para Maisa
Maisa é alguém que lê como ninguém o meu verso pelo avesso, ai ela me surpreende contando para mim as novidades de mim mesma. Foi assim que eu assisti O beijo Roubado, ouvi Bethânia em seu Mar de Sophia , vi o quadro do Chaplin...
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