Não tenho certeza, por óbvio,... Estou só começando...
Mas como meus sobrenomes vão se agregando de acordo com as minhas paixões https://caosdepalavras.blogspot.com/2020/06/a-neusa-e-maria_14.html?m=1, posso dizer que neste pós pandemia, o que me move tem ligação com a natureza, com o cultivo de parte da minha própria alimentação de forma mais orgânica, com a desaceleração dos passos...
O ritmo da vida urbana tem a capacidade de neutralizar os sentidos, as conexões são mais restritas, começamos a ficar míope, aumentar a velocidade dos passos, olhando mais para o chão ou para tela minúscula, com os ouvidos moucos para o derredor. Nossa percepção começa a ficar alterada: o que é limpeza? o que é sujeira? Limpeza é o papel alumínio, o isopor, o filme plástico que embrulha o produto comestível que eu ingiro?
A vida urbana consome o tempo e os sentidos.
Estou aprendendo com a permacultura aos poucos, que eu consigo:
produzir boa parte do meu alimento com qualidade,
otimizar espaços,
observar os ritmos da natureza, diminuir o ritmo dos meus passos,
ter mais qualidade no tempo,
olhar mais longe,
pensar mais com os sentidos...
Fiz laboratório no quintal de Mamborê, recuperei um terreno estéril, produzi muita coisa, descobri que a terra tem pele e que é preciso proteger a pele da terra, cobrindo-a, alimentando-a, como faz a natureza.
Mudei minha residência para a chácara Pé da Serra, em Campo Mourão e ampliei o espaço do cultivo, a produção de hortaliças vem sendo bem sucedida nestes dois últimos anos.
Conheci os estudos da Ana Primavesi e Primavera Silenciosa da Rachel Carson, coloquei em prática os ensinamentos do João e da Tati da escola Rama de Permacultura.
Neste ano de 2024 descobri o cogumelo shiitake cultivado em toras, produzido em sistema de agrofloresta. Estou aprendendo com a Pronobis Agroflorestal.
Um novo brilho no olhar iluminou meu horizonte: não estou mais interessada em produzir só para meu próprio consumo, mas sim, em ampliar a busca de melhoria da qualidade da alimentação e, consequentemente, da vida das pessoas e dos demais viventes, neste pequeno mundo que me circunda, além, é claro, de agregar uma nova fonte de renda neste momento em que se aproxima a transição de atividade profissional.
Não sei viver sem paixão.
Observar a natureza e reproduzir seu ciclo natural é o meu movimento.
Vamos ver o que virá deste mover-se no mundo agora.